O que é a Astrologia e qual a sua função
Acho que devemos começar entendendo o que a astrologia é, e também o que ela não é. A astrologia estuda, como indica o sufixo “logia”, os astros, mas não no que se refere as leis, mecânica, características físicas e químicas, que são objetos de estudo da astronomia.
A astrologia ocupa-se em estudar através de analogias a “narrativa” do céu, a similaridade entre o movimento dos astros do “nosso céu” (o sol, a lua e os planetas do sistema solar), observados a partir da Terra, e as questões terrestres, os ciclos, a natureza e suas características em cada momento específico. É o tempo compreendido em relação a sua qualidade, e não em relação a quantidade.
O ser humano faz parte da natureza (embora raramente nos lembramos disso!) e entramos nessa existência em um momento específico, o momento do nosso nascimento, então, por analogia, nós iremos expressar, como toda a natureza, a qualidade desse momento. Trata-se de uma relação, a princípio, simples: visualize um parque, sua vegetação e suas flores na primavera, no verão, e depois no outono, e também no inverno, são imagens muito distintas, e o mesmo ocorre conosco, somos a expressão de um tipo muito particular de semente, que irá crescer de uma forma particular, e essa semente está representada pelo mapa astrológico do nosso nascimento.

Essa é, na minha opinião, a maior contribuição da astrologia: a possibilidade de compreender através de uma ordem celeste, o potencial de uma pessoa, suas habilidades, dificuldades e processos internos, reafirmando sua natureza individual, sua identidade, e ainda compreender o aspecto dinâmico da sua vida, seus ciclos, tornando-o mais consciente da própria jornada. Essa é uma percepção que está cada vez mais distante na nossa vida, uma vez que a cultura de massa, a mídia e a sociedade nos leva a uma visão comparativa do mundo, onde o “sucesso” e a “felicidade” tem uma fórmula certa, onde não cabe, ou pouco importa, aquilo que realmente somos.
A Astrologia popular
A astrologia está em todos os jornais e revistas, recheia as mídias sociais, é inegavelmente muito popular, mas trata-se apenas de fragmentos de informação, entretenimento, que pode trazer em alguns momentos alívio ou esperança.
Essa astrologia tem o mérito de tornar e manter a astrologia popular, ativando a curiosidade das pessoas, como aconteceu comigo há muito tempo atrás. Mas trata-se de uma visão muito parcial, na maioria das vezes distorcida, que gera maior ou menor identificação conforme o momento pessoal e o quão genérica é a informação ali reportada. Esse conteúdo está muito, muito longe mesmo da profunda contribuição que a astrologia pode trazer para o autoconhecimento.
O conhecimento astrológico
A astrologia é um sistema simbólico extremamente rico, que permite detalhar de forma impressionante, características e interações envolvidas em dado instante. A aplicação desse sistema permite olhar a história mundial e pessoal com olhos mais objetivos e específicos, nos tornando aptos a uma apropriação consciente da nossa identidade, das nossas escolhas e da nossa vida, livre das interferências sociais e culturais da sociedade na qual estamos inseridos.
Para explicar melhor essa relação costumo comparar o relógio de ponteiros que mede o tempo em quantidade: ele tem 12 partes (números) e 3 ponteiros (horas, minutos e segundos); com um “relógio” astrológico, que mede o tempo em qualidade: ele também tem 12 partes (signos do zodíaco), mas tem 10 ponteiros (planetas), representando inúmeros processos e podem ser aplicados à análise de qualquer questão, através do “mapa” (representação gráfica) fornecido por esse relógio. Isso se aplica a pessoas, nações, momentos, eventos, relacionamentos.

A consulta astrológica
É através da representação gráfica do céu no momento do nascimento, o tal do mapa (e são vários os mapas que podem ser construídos), que o astrólogo pode traduzir a natureza de uma pessoa, e as diferentes fases da sua vida. É como ler uma carta escrita no céu, uma linguagem específica, que tem camadas e camadas de um simbolismo extremamente rico. Mas é preciso que o dono do mapa acrescente seu olhar, sua experiência e percepção para aquilo que está sendo narrado. O astrólogo é um tradutor, não um adivinho!
É função do bom profissional proporcionar, junto com seu cliente, uma reflexão mais ampla sobre a vida, contribuindo com a apropriação da própria identidade, de forma criativa, trazendo liberdade para expressar quem realmente somos.